31.7.06

Ivan e Mônica na Europa V























Nos últimos dias em Szczecin, fizemos com a Ola, um citytour.

Em meio a belas construções antigas, uma certa tristeza por esse pessoal às vezes tão simpático e com um senso de humor até interessante, mas que passou a história tendo a sua cidade sucessivamente invadida e conquistada.

A imagem que vem é daqueles vikings entediados, sem nada de interessante pra fazer no inverno, sentados sob seus barcos na praia, até que, de repente, algum gaiato saía com a triste idéia: "que tal dar um pau naqueles caras lá de Szczecin "?

Uma vez, num inverno particularmente frio, os suecos entraram a pé pelo rio Odra congelado, passando tranquilamente pelas defesas da cidade. Mais trocentos anos de dominação. Foi assim com os Noruegueses, Germanos, os nazistas na segunda guerra, depois os russos...

Já a artilharia de Carangola se redimiu na festa de despedida. Seu embaixador informal Cassiano, aquele tenor, aproveitou a festa para aprontar. Após o discurso de despedida do maestro Eugenius Kucs, organizador do festival que nos convidou, apresentou-se como presidente da ADCB (Associação do Diabéticos do Coral Brasília), fez discurso, posou para fotos, entregou belos livros sobre a imigração polonesa no Brasil aos organizadores e à Ola, com dedicatória da ADCB em inglês e tudo. Perguntado pelo maestro, muito surpreso, sobre o número de membros da associação, respondeu de pronto: "Dois ! E nos revezamos na presidência !". Gargalhada geral !

A ADCB foi criada, na base da galhofa, pelo Cassiano e pelo Marcelo, para protestar contra o fato de que, geralmente, as refeições oferecidas por organizadores de festivais e concursos de corais não levam em conta que existem diabéticos no grupo, não prevendo refrigerantes diet, adoçantes sem açúcar, etc. Claro que se tornou uma oportunidade a mais para brincadeiras, discursos e manifestos inflamados nos ônibus. O que ninguém poderia esperar era essa cerimônia montada com toda a pompa e, claro, muito engraçada...

Após o jantar e a rápida confraternização, fomos nos preparar para a partida. Antes de uma da manhã, seguimos de ônibus para Berlim, onde o grupo se dispersaria e nós (mais 7 aventureiros) pegaríamos o vôo para Cracóvia. Aliás, conosco, seguiu também um grupo que alugou um apartamento na cidade e por lá passou mais uns dias. Foram nossa salvação...

Dado o cansaço, não lembro muito da viagem até Berlim. Só que demoramos novamente uma eternidade prá passar pela fronteira (perigosos sul-americanos que somos) e que lá pelas 6 da manhã chegamos ao aeroporto após uma enorme sucessão de curvas numa estrada cercada de verde.

Havia, de minha parte, alguma apreensão quanto à qualidade da companhia aérea que nos levaria a Cracóvia. As passagens foram compradas pela internet e custaram um preço ridículo. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma espécie de Gol alemã, avião novo e impecável, e um check-in todo moderno, feito por nós mesmos digitando o número da reserva numa máquina que gerou as etiquetas das malas e os cartões de embarque. Depois foi só levar a bagagem para a pesagem e embarque.

Na ocasião da montagem dessa seqüência da viagem, feita com grande antecedência, aqui de Brasília, não poderíamos supor que a Mônica estaria convalescendo de uma virose. Assim, previmos um dia super puxado, com cerca de 12 horas na cidade sem nos basearmos em lugar nenhum, apenas passeando pelo centro antigo da cidade até a hora de pegar o trem para Praga, à noite. Foi a única solução possível para conhecermos mais essa cidade, já que estaríamos tão perto e aproveitando a tarifa aérea.

Quando a viagem finalmente começou, a coisa parecia cada vez mais preta. Ao pousarmos, constatamos que o tempo estava bem feio, ameaçando chuva. Como os meninos tinham alugado um apartamento, pegamos uma van até lá para, pelo menos, termos onde deixar as malas. A idéia inicial era já deixar as malas na estação de trens, mas logo fomos avisados de que não seria possível fazer isso, dado o pequeno tamanho dos maleiros de lá (europeus são muito espartanos quando viajam...).

Enfim, o início do jogo foi tenso. Também contratado pela internet, o apartamento do pessoal não tinha ninguém quando chegamos.
Imaginem só: um monte de gente, dezenas de malas tudo numa calçada estreita (gente passando e reclamando da falta de espaço na via pública), o Sirley, que contratou o imóvel, branco de susto porque ninguém aparecia para abrir o apartamento.

Vendo a situação deteriorar rapidamente, resolvi sair pelas redondezas para buscar um hotel onde pudesse instalar as malas e, se necessário, a Mônica. Não havia nada próximo. Os dois hostels que eu encontrei não davam condição nem da gente passar da portaria (se é que podemos chamar aquilo de portaria), que dirá largar por lá um monte de malas o dia inteiro. Pelo menos consegui um mapa da cidade e, conversando com a dona de uma banca de jornais, tive a indicação de um Holyday Inn, alguns quarteirões acima.

Voltei e a situação tinha melhorado. A dona do imóvel finalmente tinha chegado. Era um apartamento antigo mas muito amplo (10 camas !) e todo equipado. Apesar de ter que levar as malas escada acima, foi um alívio. Mônica não quis procurar hotel nenhum e resolveu tentar a sorte no primeiro passeio, apesar do frio e da chuvinha. Lá fomos nós, em busca do centro antigo da Cracóvia.

Ivan e Mônica, 28 de junho de 2006.

PS. Seguem fotos com a cerimônia da ADCB ( o maestro, Ola e o presidente da ADCB) e da primeira (chuvosa e não muito boa) impressão da linda praça central da cidade velha de Cracóvia.





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