Ivan e Mônica na Europa III
Acho que aquela nostalgia de fim de domingo eh um sentimento bem generalizado.
Nesta tarde de domingo, fazendo pela segunda vez a cominhada de 20 minutos soh de ida a um shopping enorme chamado Galaxy, nem a bela luz do fim de tarde conseguia me animar um pouco. Eu ia em busca de um termometro, tentando resolver uma situacao que comecou a deteriorar uns dias antes.
Sexta feira, Monica comecou a nao se sentir bem. Algum enjoo, dor de cabeca, tosse seca, dor no corpo. Minha impressao ? Gripe. Mas Monica nao gripa com facilidade. Na sexta, o maestro, quando viu seu estado, pediu que nao participasse do concerto conjunto de todos os corais do festival, acompanhados por orquestra sinfonica e com direito a autoridades e tv direta. No sabado foi ensaiar e cantou no concerto de gala do Coral Brasilia. Alem do frio, o enorme cansaco, fruto da extrema concentracao e envolvimento e do qual a maioria dos cantores reclama, piorou bastante seu estado.
Na noite de sabado para domingo, reclamou de calafrios e aih se instalou a tradicional zorra do Coral, tipica desses casos. Todo mundo dah palpites, oferece solucoes alem, eh claro, de mil remedios. De extratos de propolis a violentos arrasa-quarteiroes antigripais, apareceu de tudo. Minha mesinha do quarto mais parecia prateleira de farmacia. Quando dei por mim, o baixo-enfermeiro-de-uti queria aplicar uma mistura de dipirona e voltarem, na veia. A contralto-engenheira tecia altas teorias matematicas de correlacao entre temperatura do corpo e origem da doenca. A soprano-misteriose oferecia, discretamente, uma sessao de Johrei. Outros me olhavam como se eu fosse um inconsequente por nao haver ainda acionado o seguro-saude. E ainda faziam campanha junto aa Monica quando eu nao estava no quarto !
Eu tentava recompor meus planos de contingencia, que incluiam nao ir mais aa Cracovia e ficar por aqui mais 2 dias ou, em caso extremo, pedir asilo no lugar mais perto de casa aqui por estas bandas: a casa da Regininha lah em Colonia.
Aproveitando que todos tinham que ir cantar no palco lah no castelo, chamei o seguro saude. Uma hora depois baixaram um senhor, uma senhora e uma enorme maleta. Ninguem ali falava qualquer lingua conhecida, apesar dos meu pedidos aos agentes do seguro. A recepcionista do hotel, que pelo menos arranha um ingles padrao "me Tarzan, you Jane" nao podia abandonar seu posto. O medico, prah nao deixar deteriorar ainda mais a situacao, comecou a examinar a Monica. Auscultou, perguntou umas coisas. Ela certamente respondeu outras. Ele, aliviado, me mostrou o diagnostico: sinusite aguda. Mais que depressa saiu do quarto me deixando uma hieroglifica receita, que eu tive que tentar decifrar com a faremaceutica, no tal shopping. Pelo menos nao era pneumonia !
A farmaceutica foi super simpatica e me explicou que ali estavam um atibiotico para cabeca e garganta, de amplo espectro (sorriu quando eu disse isso, aliviando-a do sofrimento de tentar explicar o que era, com o ingles disponivel...), um aas e um descongestionante nasal. Sugeriu algo que euntendi que serviria como uma protecao para o aparelho digestivo, por causa do antobiotico. Comprei tudo, voltei pro quarto.
Voltou o coral. A contralto-engenheira nao gostou do AAS numa possivel virose (tinha razao). Logo surgiram novas e acaloradas discussoes sobre tomar ou nao tomar o antibiotico. Sugeri que, a exemplo do nosso governo, constituissem 2 grupos, elegessem representantes, apresentassem seus pontos de vista de modo a tentarmos chegar a uma solucao de consenso que nao melindrasse ninguem e que, talvez, resolvesse o problema. Nao entenderam a piada. Esperei o pessoal se cansar e ir embora. A soprano atacou o Johrei e eu resolvi fazer o que a nossa familia faz nesses casos de impasses medicos: liguei prah Ines.
Gracas a essa que eh a melhor invencao do ser humano depois da roda (o SKYPE !), atropelei a pobre da Ines num celular lah no sitio, no interior de Sao Paulo. "Voce jah recebeu algum telefonema da Polonia ?" Ines eh aquela pessoa que trabalhou com medicina lah nas barbas da floresta amazonica. Tem a capacidade de colocar as coisas em perspectiva, quando tudo parece perdido. E, nos raros casos em que nao ha solucao simples aa vista, segura na mao da gente e chora junto !
Ela me acalmou sobre o antibiotico, que reso,vemos que ela iria mesmo tomar, trocou o aas pelo Tylenol, me mandou parar de adivinhar e comprar um termometro, deu expressas instrucoes sobre anti-termicos intercalados e fez mais algumas recomendacoes de testes, que eu executei morrendo de medo e que deram negativo...
Hoje, segunda, Monica acordou melhor. Nao teve mais febre e ateh desceu prah almocar um pouco. Vamos viajar hoje aa noite prah Berlim e logo cedo de manha vamos prah Cracovia. Parece que vai dar certo.
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Da serie realismo socialista:
O pessoal fala que eu sou implicante mas olha soh o primeiro aviso que recebemos ao chegar ao hotel, depois da maratona na aduana polonesa, na sexta-feira:
"pessoal, a direcao do festival pediou para avisa-los que a POLICIA daqui eh super rigorosa com pessoas que atravessam as ruas fora da faixa de pedestres. Por favor, tomem cuidado com isso".
Quase engasguei com o franguinho-mal-passado e fiquei ainda mais chateado por ter perdido o jantar de gala no castelo. Todo mundo sabe que o pessoal na aLEMANHA EH SUPER CHATO COM ESSE NEGOCIO DE ATRAVESSAR FORA DA FAIXA. Os outros pedestres repreendem com os olhos quem nao respeita os sinais e faixas. Mas acho que lah , se houvesse esse tipo de aviso (claro que nunca houve) seria: "cuidado que as LEIS aqui sao super rigorosas". O tempo passa, as pessoas morrem, mas certas ideias ainda vao demorar muito prah serem ultrapassadas. Me imaginei sendo seguido pela KGB...
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Sabado aa noite. O grupo de percussao Som Catado, que faz musica com materias apanhados na rua (latas de tinta, galoes de gasolina, orelhoes quebrados, etc.) e que acompanha o Coral Brasilia, fez uma apresentacao solo no palco do patio do castelo. Como houve problemas com o som, o pessoal do coral, da plateia, fez a maior festa, prah nao deixar o publico ir embora. Comecaram cantando o hino da copa de 70 e foram ladeira abaixo. Os europeus adoram isso. Cantaram lah uma musica russa e os meninos comecaram a dancar como cossacos paraplegicos, se apoiando uns nos outros prah conseguir jogar as pernas prah cima. Hilario. O show foi muito bom, e foi super bem recebido pelos outros participantes do festival.
Prah completar a bagunca, o Cassiano, um tenor maluco que sempre mata a gente rir, quando soube que aqui Szczecin foi tomada, ao longo da historia, por Germanos, Suecos, noruegueses, alemaes e sobvieticos, entre outros (coitados...), comecou a inventar que o pessoal da cidade dele (Carangola) tambem vinha aqui reclamar a cidade prah eles. Seu divertimento eh ficar dizendo que melhorias fariam por aqui (introduzir a cachaca, o torresmo, uns carrinhos de bodinhos nos parques, substituir as 3 aguias do monumento simbolo da cidade por galinhas d' angola e por aih vai ). Quando acabou o show do Som Catado houve, em algum lugar que nao viamos, uma queima de fogos. Ele logo comecou a correr pelo meio do publico gritando que a artilharia de Carangola estava tomando o castelo ! E nem precisaram esperar a chegada do seu Nezinho da Farmacia com sua garrucha de 4 tiros !!!!
Vou ficar por aqui, hoje. Depois eu conto prah voces a diferenca entre cantar com perfeicao e fazer musica.
Grande abraco e, mais uma vez, obrigado pelas (muitas ) respostas !
Ivan e Monica, 5 de junho de 2006
PS: Da serie pesquisas sociologicas: Pude observar, depois de exaustivas 2 viagens a peh ao grande shopping, que Choferes de Taxi e Donos de Mercedes Grandes nao respeitam as faixas de pedestres (o ser humano nao falha nunca !)
Ponto de encontro dos meus amigos, prá discutir música, fotografia, computadores, Pirenópolis, etc
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