28.7.14


Lunarputians: uma busca de 40 anos


Cena:

Início dos anos 70. Eu, na casa do Jochem (que logo depois foi demolida prá virar um edifício). 

Ele, que também tinha um gravador de rolo Akai 4000DS, me ajudava a copiar músicas da coleção de discos do Rosadas, que também estava lá e ia nos guiando pela massa de vinil, capas, plásticos. 

Mudar para Brasília significava ficar longe do jazz e das lojas de discos mais maneiras do Rio. Trazer as fitas com o máximo de músicas era fundamental.

E TINHA MUITA COISA LÁ !!! Logo, a operação era complexa e exigia boa logística e ajuda especializada de quem conhecia o material ! Tínhamos de agir rápida e coordenadamente já que, diferentemente de hoje, a gravação era feita em tempo real. Depois de achar a música, se ela tinha 10 minutos, levava uns 12 prá gravar, entre achar a faixa, posicionar o braço do tocadisco, arrumar o volume no gravador, soltar a tecla de pausa na hora certa prá não dar um intervalo grande que tirasse a nossa vontade de ouvir depois.

De tudo o que eu gravei, lembro de um disco solo do Billy Cobham, ex-baterista da Mahavishnu Orchestra, banda de jazz/rock (há controvérsias) liderada pelo John McLaughlin. O cara era sensacional, não tinha lado, dois bumbos, batia com tudo, braços e pernas pareciam completamente autônomos. E que ritmo !!!!

Bom, no meio do disco, uma massaroca do jazz típico daquela época, entre coisas bem legais e outras que a gente não tinha coragem de declarar chatas, surgiu um funkinho sensacional, leve, metais perfeitos, guitarra competente (John Abercrombie), tudo turbinado por aquele baterista absolutamente fora de série. "Essa eu quero !!!. Como é que chama isso ?". Alguém, separando as capas, gritou: "The Moon ain´t made of green cheese". Rimos alto !

Passou o tempo. Quase nunca consegui achar aquela música de novo no emaranhado das fitas de rolo. Aliás, tem troço mais cpd de computador que gravador de rolo ? Você tinha que quase ter uma bibliotecária prá achar uma determinada música. Que mão de obra ! Quando (e se) conseguisse achar, a vontade de ouvir já tinha passado !!!!

Passou mais tempo. O gravador de rolo se foi. 

De vez em quando me lembrava daquela música. Claro, não havia mais o registro de qualquer acorde. Só uma idéia vaga das quebradas da bateria, o jeito sensacional de conduzir o ritmo com leveza e certa picardia. 

Cheguei a pesquisar na internet várias vezes, sem sucesso. 

Hoje, acordei pensando nisso. 
Chamei mais uma vez por DEUS (AKA Google) e...pimba ! The Moon ain´t made of Green Cheese. Achei no Youtube !!!

Mas não era a mesma música...

Com a dica do disco, saí então procurando (Total Eclipse - 1974). Fui ouvindo todas as músicas disponíveis no Youtube e...ACHEI !!!! A música se chama Lunarputians (Mais risos altos !!!!)

Como os tempos são de Torrent, achei em seguida a coleção de TODOS OS DISCOS do BILLY COBHAM gravados em formato Flac, com alta qualidade de som ! Que exagero... Dois Giga !

No Total Eclipse tem outras músicas legais mas minha apreciação rápida não mudou em 40 anos. Lunarputians é mesmo imbatível.


Aí veio a vontade de contar essa história prá vocês. E mandar a música. Segue o link do Youtube. Só não é em Flac. Sorry, periferia....

31.7.06

Ivan e Mônica na Europa V























Nos últimos dias em Szczecin, fizemos com a Ola, um citytour.

Em meio a belas construções antigas, uma certa tristeza por esse pessoal às vezes tão simpático e com um senso de humor até interessante, mas que passou a história tendo a sua cidade sucessivamente invadida e conquistada.

A imagem que vem é daqueles vikings entediados, sem nada de interessante pra fazer no inverno, sentados sob seus barcos na praia, até que, de repente, algum gaiato saía com a triste idéia: "que tal dar um pau naqueles caras lá de Szczecin "?

Uma vez, num inverno particularmente frio, os suecos entraram a pé pelo rio Odra congelado, passando tranquilamente pelas defesas da cidade. Mais trocentos anos de dominação. Foi assim com os Noruegueses, Germanos, os nazistas na segunda guerra, depois os russos...

Já a artilharia de Carangola se redimiu na festa de despedida. Seu embaixador informal Cassiano, aquele tenor, aproveitou a festa para aprontar. Após o discurso de despedida do maestro Eugenius Kucs, organizador do festival que nos convidou, apresentou-se como presidente da ADCB (Associação do Diabéticos do Coral Brasília), fez discurso, posou para fotos, entregou belos livros sobre a imigração polonesa no Brasil aos organizadores e à Ola, com dedicatória da ADCB em inglês e tudo. Perguntado pelo maestro, muito surpreso, sobre o número de membros da associação, respondeu de pronto: "Dois ! E nos revezamos na presidência !". Gargalhada geral !

A ADCB foi criada, na base da galhofa, pelo Cassiano e pelo Marcelo, para protestar contra o fato de que, geralmente, as refeições oferecidas por organizadores de festivais e concursos de corais não levam em conta que existem diabéticos no grupo, não prevendo refrigerantes diet, adoçantes sem açúcar, etc. Claro que se tornou uma oportunidade a mais para brincadeiras, discursos e manifestos inflamados nos ônibus. O que ninguém poderia esperar era essa cerimônia montada com toda a pompa e, claro, muito engraçada...

Após o jantar e a rápida confraternização, fomos nos preparar para a partida. Antes de uma da manhã, seguimos de ônibus para Berlim, onde o grupo se dispersaria e nós (mais 7 aventureiros) pegaríamos o vôo para Cracóvia. Aliás, conosco, seguiu também um grupo que alugou um apartamento na cidade e por lá passou mais uns dias. Foram nossa salvação...

Dado o cansaço, não lembro muito da viagem até Berlim. Só que demoramos novamente uma eternidade prá passar pela fronteira (perigosos sul-americanos que somos) e que lá pelas 6 da manhã chegamos ao aeroporto após uma enorme sucessão de curvas numa estrada cercada de verde.

Havia, de minha parte, alguma apreensão quanto à qualidade da companhia aérea que nos levaria a Cracóvia. As passagens foram compradas pela internet e custaram um preço ridículo. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma espécie de Gol alemã, avião novo e impecável, e um check-in todo moderno, feito por nós mesmos digitando o número da reserva numa máquina que gerou as etiquetas das malas e os cartões de embarque. Depois foi só levar a bagagem para a pesagem e embarque.

Na ocasião da montagem dessa seqüência da viagem, feita com grande antecedência, aqui de Brasília, não poderíamos supor que a Mônica estaria convalescendo de uma virose. Assim, previmos um dia super puxado, com cerca de 12 horas na cidade sem nos basearmos em lugar nenhum, apenas passeando pelo centro antigo da cidade até a hora de pegar o trem para Praga, à noite. Foi a única solução possível para conhecermos mais essa cidade, já que estaríamos tão perto e aproveitando a tarifa aérea.

Quando a viagem finalmente começou, a coisa parecia cada vez mais preta. Ao pousarmos, constatamos que o tempo estava bem feio, ameaçando chuva. Como os meninos tinham alugado um apartamento, pegamos uma van até lá para, pelo menos, termos onde deixar as malas. A idéia inicial era já deixar as malas na estação de trens, mas logo fomos avisados de que não seria possível fazer isso, dado o pequeno tamanho dos maleiros de lá (europeus são muito espartanos quando viajam...).

Enfim, o início do jogo foi tenso. Também contratado pela internet, o apartamento do pessoal não tinha ninguém quando chegamos.
Imaginem só: um monte de gente, dezenas de malas tudo numa calçada estreita (gente passando e reclamando da falta de espaço na via pública), o Sirley, que contratou o imóvel, branco de susto porque ninguém aparecia para abrir o apartamento.

Vendo a situação deteriorar rapidamente, resolvi sair pelas redondezas para buscar um hotel onde pudesse instalar as malas e, se necessário, a Mônica. Não havia nada próximo. Os dois hostels que eu encontrei não davam condição nem da gente passar da portaria (se é que podemos chamar aquilo de portaria), que dirá largar por lá um monte de malas o dia inteiro. Pelo menos consegui um mapa da cidade e, conversando com a dona de uma banca de jornais, tive a indicação de um Holyday Inn, alguns quarteirões acima.

Voltei e a situação tinha melhorado. A dona do imóvel finalmente tinha chegado. Era um apartamento antigo mas muito amplo (10 camas !) e todo equipado. Apesar de ter que levar as malas escada acima, foi um alívio. Mônica não quis procurar hotel nenhum e resolveu tentar a sorte no primeiro passeio, apesar do frio e da chuvinha. Lá fomos nós, em busca do centro antigo da Cracóvia.

Ivan e Mônica, 28 de junho de 2006.

PS. Seguem fotos com a cerimônia da ADCB ( o maestro, Ola e o presidente da ADCB) e da primeira (chuvosa e não muito boa) impressão da linda praça central da cidade velha de Cracóvia.





Ivan e Mônica na Europa IV

Eh mais ou menos normal, nessas viagens do Coral Brasilia, que o pessoal comece a sentir,apos algum tempo, os efeitos da mudanca de clima, das viagens seguidas, da mudanca de habitos, da alimentacao desregrada. Em 2000 o grupo foi atacado por uma gripe no voo de ida e soh conseguiu cantar completo quase 2 semanas depois. A cada hora, mais alguem caia doente...

Desta vez, enquanto eu acompanhava o ensaio para a apresentacao de gala no sabado (3 de junho) no Szczecin Philarmonic, e via o maestro super preocupado, pedindo um esforco adicional a todos, tentando ganhar mais meia hora de descanso para todos junto aa organizacao, pensei que a vaca tinha ido pro brejo. Lembrei que boa parte do grupo dos homens tinha feito a maior zorra lah na apresentacao do Som Catado, na noite anterior, aquela da invasao da artilharia de Carangola. Agora as vozes estavam visivelmente cansadas.

Monica nao estava nada bem, mas fez questao de ir ensaiar. O frio estava forte, com vento e chuva fina... E a sala era muito incrivel, toda em madeira, com um som maravilhoso. Diferentemente da Igreja de Pretzlau, que tinha um som celestial e continuo, aqui, a sala abria o som e nao escondia os defeitos. Cada nota aparecia.

Voltamos para o hotel preocupados e muito pouco tempo depois, retornamos aa sala de concertos.
O grupo estava tao cansado que nem a tradicional quadrilha do fundo do onibus teve animo pras brincadeiras de sempre.

O local do concerto fica num anexo da prefeitura, na verdade um palacio bem bonito, com jardins e fontes. Me posicionei lah no andar de cima, para poder fotografar sem atrapalhar o resto do publico. Ao nosso lado, dirigentes do Festival Europa Cantat que aproveitaram o Festival para fazer uma reuniao em Szczecin. Ou seja, uma super oportunidade de recebermos novos convites para cantar por aqui.

Abriu o concerto o mesmo coral na Noruega, Grex Vocalis. Desta vez, o som deles, apesar de magnifico, nao soou tao perfeito. A sala fazia enorme diferenca. Fiquei ainda mais preocupado. Apesar da otima apresentaco, como da primeira vez, andei cochilando nas musicas... Foram muito aplaudidos, com direito a bis. Uma bela apresentacao, como esperado.

Entrou o Coral Brasilia. E mais uma vez me impressionou a capacidade de superacao do grupo, a capacidade de fazer musica. Me emociona quando um grupo de pessoas resolve cantar junto, e tem a capacidade de trabalhar a emocao da musica, soar utilizando grandes diferencas de dinamica, indo de um super piano ao forte, respondendo aas indicacoes do maestro como se fosse um soh instrumento. Aprendi a gostar de corais ouvindo varios grupos de Brasilia, que conseguem fazer isso e que, talvez por essa capacidade, encantam publicos tao diferentes.

Novamente o "O Vos Omnes" foi, a meu ver, brilhante. Novamente nao teve a recepcao que merecia. Nas pecas da Missa Afro-Brasileira, no entanto,o publico comecou a reagir melhor, com algumas pessoas apludindo de peh. Novamente parece que alih, as pessoas comecaram a sacar do que se tratava...

E entao veio a parte de musica popular. A um sinal do maestro entrou, pelo fundo da sala, o Som Catado, batucando. Subiram no palco tocando e passaram a acompanhar as musicas ateh o final. Diferentemente do ultimo ensaio em Brasilia, fizeram um som bem mais baixo, interferindo muito pouco no som das vozes. Ficou muito bom, mesmo. Eu, pessoalmente, prefiro a percussao soh com um pandeiro, que tem a capacidade de enriquecer trementamente os ritmos brasileiros, sem abafar os efeitos ritmicos jah muito sofisticados dos arranjos vocais do grupo. Aqui, no entanto, o Som Catado nao comprometeu o resultado, e animou bastante.

O publico, aih, veio abaixo.

Soh prah ilustrar, a organizacao, por erro, entregou as flores ao maestro uma musica antes do previsto para o encerramento do programa. Talvez achando que era um sinal para encerrar o concerto, o maestro fez sinal para que o grupo saisse apos mais uma musica. Foi o bastante pra que fortes vaias irrompessem da plateia, obrigando a que os 4 ou 5 cantores que jah estavam se movimentando em direcao aa saida voltassem sorrindo.

Cada nova musica recebia como resposta aplausos de peh, gritos de bravo !.

Na ultima, um emocionante medley de antigos sambas-exaltacao, sairam cantando e batucando pela plateia mesmo, levando o publico atras de si, aplaudindo ateh o saguao do teatro.

Foi uma noite memoravel. A julgar pelas expressoes dos velhinhos do Europa Cantat, acho que vamos volltar aqui em breve.

Quanto aos concertos seguintes, soh com pecas populares, jah que estava cuidando da Monica. Terminamos, entao, nossa excursao musical de 2006, que consumiu 2 anos de ensaios e uma razoavel dose de trabalho.

Da Polonia e de Szczecin, levamos uma otima impressao. Encontramos muita gente simpatica por aqui, como a nossa guia, Hola, sempre pronta a ajudar esse bando de brasileiros doidos, por quem ela tambem se encantou. Inteligente, falando alemao, ingles, espanhol ( e tentando arranhar o portugues), alem de ter otimo senso de humor, acompanhou-nos numa epopeia incrivel, de quase 2 horas, para comprar 9 passagens de trem leito de Cracovia para Praga. Quando comentei que a enorme fila que se formava atras de nos no guichet da estacao era muito educada por nao protestar mas que logo, logo iria comecar a nos atirar coisas ela apenas sorriu e comentou que se voce quer andar de trem na Polonia tem que ter muuuiiiiiiita paciencia. Ameacou oferecer o livro tipo "aprenda portugues em 10 licoes" que ganhou dos pais ao pessoal da fila para que eu pudesse entender o que eles jah estavam resmungando e parar de achar que eles eram assim tao educados....

Saimos do hotel de onibus aa uma da manha de segunda, indo para Berlim. Dali pegamos um aviao para a Cracovia, prah iniciar a segunda fase da viagem. A preocupacao era que nossa logistica previa que iriamos ficar mais de 12 horas sem casa, andando pela cidade, num tempo que pareca que ia ser frio, com chuva. Pegariamos um trem aas 22:25. Monica estava melhorando, mas havia um razoavel risco.

Mas isso eu vou contar amanha, se conseguir um cyber lah em Paris. Aqui, escrevo do hotel, numa maquina que soh permite acesso ao Internet Explorer.

Grande abraco a todos,

Ivan e Monica, 9 de junho de 2006

23.7.06

Ivan e Mônica na Europa III

Acho que aquela nostalgia de fim de domingo eh um sentimento bem generalizado.

Nesta tarde de domingo, fazendo pela segunda vez a cominhada de 20 minutos soh de ida a um shopping enorme chamado Galaxy, nem a bela luz do fim de tarde conseguia me animar um pouco. Eu ia em busca de um termometro, tentando resolver uma situacao que comecou a deteriorar uns dias antes.

Sexta feira, Monica comecou a nao se sentir bem. Algum enjoo, dor de cabeca, tosse seca, dor no corpo. Minha impressao ? Gripe. Mas Monica nao gripa com facilidade. Na sexta, o maestro, quando viu seu estado, pediu que nao participasse do concerto conjunto de todos os corais do festival, acompanhados por orquestra sinfonica e com direito a autoridades e tv direta. No sabado foi ensaiar e cantou no concerto de gala do Coral Brasilia. Alem do frio, o enorme cansaco, fruto da extrema concentracao e envolvimento e do qual a maioria dos cantores reclama, piorou bastante seu estado.
Na noite de sabado para domingo, reclamou de calafrios e aih se instalou a tradicional zorra do Coral, tipica desses casos. Todo mundo dah palpites, oferece solucoes alem, eh claro, de mil remedios. De extratos de propolis a violentos arrasa-quarteiroes antigripais, apareceu de tudo. Minha mesinha do quarto mais parecia prateleira de farmacia. Quando dei por mim, o baixo-enfermeiro-de-uti queria aplicar uma mistura de dipirona e voltarem, na veia. A contralto-engenheira tecia altas teorias matematicas de correlacao entre temperatura do corpo e origem da doenca. A soprano-misteriose oferecia, discretamente, uma sessao de Johrei. Outros me olhavam como se eu fosse um inconsequente por nao haver ainda acionado o seguro-saude. E ainda faziam campanha junto aa Monica quando eu nao estava no quarto !

Eu tentava recompor meus planos de contingencia, que incluiam nao ir mais aa Cracovia e ficar por aqui mais 2 dias ou, em caso extremo, pedir asilo no lugar mais perto de casa aqui por estas bandas: a casa da Regininha lah em Colonia.

Aproveitando que todos tinham que ir cantar no palco lah no castelo, chamei o seguro saude. Uma hora depois baixaram um senhor, uma senhora e uma enorme maleta. Ninguem ali falava qualquer lingua conhecida, apesar dos meu pedidos aos agentes do seguro. A recepcionista do hotel, que pelo menos arranha um ingles padrao "me Tarzan, you Jane" nao podia abandonar seu posto. O medico, prah nao deixar deteriorar ainda mais a situacao, comecou a examinar a Monica. Auscultou, perguntou umas coisas. Ela certamente respondeu outras. Ele, aliviado, me mostrou o diagnostico: sinusite aguda. Mais que depressa saiu do quarto me deixando uma hieroglifica receita, que eu tive que tentar decifrar com a faremaceutica, no tal shopping. Pelo menos nao era pneumonia !

A farmaceutica foi super simpatica e me explicou que ali estavam um atibiotico para cabeca e garganta, de amplo espectro (sorriu quando eu disse isso, aliviando-a do sofrimento de tentar explicar o que era, com o ingles disponivel...), um aas e um descongestionante nasal. Sugeriu algo que euntendi que serviria como uma protecao para o aparelho digestivo, por causa do antobiotico. Comprei tudo, voltei pro quarto.

Voltou o coral. A contralto-engenheira nao gostou do AAS numa possivel virose (tinha razao). Logo surgiram novas e acaloradas discussoes sobre tomar ou nao tomar o antibiotico. Sugeri que, a exemplo do nosso governo, constituissem 2 grupos, elegessem representantes, apresentassem seus pontos de vista de modo a tentarmos chegar a uma solucao de consenso que nao melindrasse ninguem e que, talvez, resolvesse o problema. Nao entenderam a piada. Esperei o pessoal se cansar e ir embora. A soprano atacou o Johrei e eu resolvi fazer o que a nossa familia faz nesses casos de impasses medicos: liguei prah Ines.

Gracas a essa que eh a melhor invencao do ser humano depois da roda (o SKYPE !), atropelei a pobre da Ines num celular lah no sitio, no interior de Sao Paulo. "Voce jah recebeu algum telefonema da Polonia ?" Ines eh aquela pessoa que trabalhou com medicina lah nas barbas da floresta amazonica. Tem a capacidade de colocar as coisas em perspectiva, quando tudo parece perdido. E, nos raros casos em que nao ha solucao simples aa vista, segura na mao da gente e chora junto !

Ela me acalmou sobre o antibiotico, que reso,vemos que ela iria mesmo tomar, trocou o aas pelo Tylenol, me mandou parar de adivinhar e comprar um termometro, deu expressas instrucoes sobre anti-termicos intercalados e fez mais algumas recomendacoes de testes, que eu executei morrendo de medo e que deram negativo...

Hoje, segunda, Monica acordou melhor. Nao teve mais febre e ateh desceu prah almocar um pouco. Vamos viajar hoje aa noite prah Berlim e logo cedo de manha vamos prah Cracovia. Parece que vai dar certo.

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Da serie realismo socialista:

O pessoal fala que eu sou implicante mas olha soh o primeiro aviso que recebemos ao chegar ao hotel, depois da maratona na aduana polonesa, na sexta-feira:

"pessoal, a direcao do festival pediou para avisa-los que a POLICIA daqui eh super rigorosa com pessoas que atravessam as ruas fora da faixa de pedestres. Por favor, tomem cuidado com isso".

Quase engasguei com o franguinho-mal-passado e fiquei ainda mais chateado por ter perdido o jantar de gala no castelo. Todo mundo sabe que o pessoal na aLEMANHA EH SUPER CHATO COM ESSE NEGOCIO DE ATRAVESSAR FORA DA FAIXA. Os outros pedestres repreendem com os olhos quem nao respeita os sinais e faixas. Mas acho que lah , se houvesse esse tipo de aviso (claro que nunca houve) seria: "cuidado que as LEIS aqui sao super rigorosas". O tempo passa, as pessoas morrem, mas certas ideias ainda vao demorar muito prah serem ultrapassadas. Me imaginei sendo seguido pela KGB...

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Sabado aa noite. O grupo de percussao Som Catado, que faz musica com materias apanhados na rua (latas de tinta, galoes de gasolina, orelhoes quebrados, etc.) e que acompanha o Coral Brasilia, fez uma apresentacao solo no palco do patio do castelo. Como houve problemas com o som, o pessoal do coral, da plateia, fez a maior festa, prah nao deixar o publico ir embora. Comecaram cantando o hino da copa de 70 e foram ladeira abaixo. Os europeus adoram isso. Cantaram lah uma musica russa e os meninos comecaram a dancar como cossacos paraplegicos, se apoiando uns nos outros prah conseguir jogar as pernas prah cima. Hilario. O show foi muito bom, e foi super bem recebido pelos outros participantes do festival.

Prah completar a bagunca, o Cassiano, um tenor maluco que sempre mata a gente rir, quando soube que aqui Szczecin foi tomada, ao longo da historia, por Germanos, Suecos, noruegueses, alemaes e sobvieticos, entre outros (coitados...), comecou a inventar que o pessoal da cidade dele (Carangola) tambem vinha aqui reclamar a cidade prah eles. Seu divertimento eh ficar dizendo que melhorias fariam por aqui (introduzir a cachaca, o torresmo, uns carrinhos de bodinhos nos parques, substituir as 3 aguias do monumento simbolo da cidade por galinhas d' angola e por aih vai ). Quando acabou o show do Som Catado houve, em algum lugar que nao viamos, uma queima de fogos. Ele logo comecou a correr pelo meio do publico gritando que a artilharia de Carangola estava tomando o castelo ! E nem precisaram esperar a chegada do seu Nezinho da Farmacia com sua garrucha de 4 tiros !!!!

Vou ficar por aqui, hoje. Depois eu conto prah voces a diferenca entre cantar com perfeicao e fazer musica.

Grande abraco e, mais uma vez, obrigado pelas (muitas ) respostas !

Ivan e Monica, 5 de junho de 2006

PS: Da serie pesquisas sociologicas: Pude observar, depois de exaustivas 2 viagens a peh ao grande shopping, que Choferes de Taxi e Donos de Mercedes Grandes nao respeitam as faixas de pedestres (o ser humano nao falha nunca !)
Ivan e Mônica na Europa II


















Estou ficando expert em Cyber Cafes ao redor do mundo. Encontrei um aqui que eh uma negocio muito interessante. Fica num porao. Prah chegar se passa por dentro de uma loja modernissima. Mas, seguindo as setas de indicacao a gente tem que SAIR pelos fundos e descer uma escada. O local eh todo pintado de preto e fica tocando uma adoravel musica techno (ou algo assim, Daniel) na sua cabeca....

Ontem ao sair o tempo havia mudado para sol, com ceu super azul e uma luz indescritivel...

Tive que correr para o hotel prah pegar a camera.

Mas vamos voltar para Prenzlau e sua musica de fundo. Lembram de Os Passaros ? Aqueles corvos piando o tempo todo ? Era o som ambiente do nosso hotel. Mesmo assim era muito simpatico. Tinha ateh um rio com salmoes !

Mas ao final do dia com passeios pela cidade, houve o concerto, em parceria com o Grex Vocalis, de Oslo, que eh considerado um dos melhores coros do mundo. Seu maestro foi professor do Lincoln, maestro do Coral Brasilia.

O coral noruegues eh realmente excelente. Dentro da St. NicolaChurch, entao, parecia que estavamos no ceu. Mas o problema eh que mesmo o ceu, muito repetido, cansa. E, dado o esforco do ultimo dia, andei dando uns cochilos durante a apresentacao deles. Nao fui o unico.

Muito aplaudidos ao final, foram seguidos pelo Coral Brasilia no seu habitual: uma apresentacao ousada, com pecas muito dificeis e nao completamente perfeitas, mas com uma garra que dava gosto. O O Vos Omnis foi emocionante. Fiquei chateado que a plateia ficou meio aturdida e a resposta nao foi a que eu esperava. Nas pecas da Missa Afro Brasileira, no entanto, o Coral foi melhor ainda e levantou a galera numa reacao emocionante.

A minha impressao foi que, alih, caiu a ficha. Tenho as fotos... A Salmo 150 foi muito bem feito tambem e encerrou o concerto com aplausos de peh de toda a plateia. Um pedido de bis. O coral poderia ter feito outros, mas nao havia nada preparado: era um concerto soh com pecas sacras.

A saida para a Polonia, depois daquela emocao toda, foi meio anti-climax. Vindos do terceiro mundo, ficamos presos por quase duas horas na fronteira,socados no onibius, no maior calor. Sorte que o "pessoal do fundao" do onibus nao perde a pose e quase nos matou de rir com o tradicional festival de bobagens.

O onibus do coral noruegues tambem demorou bons 50 minutos porque cometeu o erro de convidar 5 brasileiros para irem com eles.... Com isso, perdemos o jantar de boas vindas no castelo do Duque da Pomerania e ainda tivemos que comer um lanche improvisado no hotel mesmo. No menu, franguinho meio mal passado. Em tempos de gripe aviaria, foi mais uma alegria. Dada a nossa fome, ninguem lembrou disso.

Em anexo, uma imagem da Monica em frente ao palco do Festival, que fica no patio interno do castelo citado aih acima. Notem o relogio ao fundo. E tem tembem a torre da catedral que fica em frente ao nosso hotel, e onde houve ontem um concerto em que cantaram juntos todos os coros convidados.

Grande abraco e obrigado pelas respostas,

Ivan e Monica, 3 de junho de 2006

20.7.06

Ivan e Mônica na Europa I


















Nao sei dizer bem em que ponto do tempo acabou completamente o glamour das viagens aereas internacionais.

O fato eh que eu credito aa memoria curta, o fato de ainda me submeter a ficar 12 horas espremido num tubo de aluminio, nessa inacreditavel sessao de tortura psicologica .

Agora que jah passou, me veem aa mente as imagens daqueles corredores imersos numa sombria penumbra, que mais lembram as areas arrasadas por bombardeios, os corpos das pessoas amarfranhados, estatelados nas posicoes mais improvaveis, tentando, em vao, transformar aquelas cadeirinhas em camas..

Fiquei a noite toda, como sempre, ouvindo o som disponivel no aviao. No caso, dada a decadencia da Varig, funcionava apenas um canal, que apresentava um programa comparando Bach e Villa-Lobos =8-)).

E tome Prole do Bebe, e Bachianas numero 5, etc. Ouvi umas 20 vezes o programa todo. Me interessei muito pelas Bachianas n.1. Viloncelos emocionantes. Lembrei do Tom, falando da emocao de ouvir essas pecas sinfonicas do Villa, de como ele se sentia passeando pela amazonia, etc. Enfim, vou ver se descolo uma copia e vou ouvir, um dia, lah no pequeno-jardim-mais-fotografado-do-mundo, que eh o que mais se aproxima da amazonia, prah mim....

Enfim, chegamos vivos. Depois de mais um voo de Frankfurt ateh Berlim, e depois de onibus ateh Prenzlau. Minha mala nao teve tanta sorte e teve o fecho arrombado. Tempos modernos. Saudades da Rita Hayworth e dos Super Constellations....

Prenzlau eh uma cidade rural, arrumada, limpa, muito arborizada. Ficamos meio preocupados porque nao havia pessoas pelas ruas. Alias, nao vimos ninguem no trajeto ateh o hotel.... Logo percebemos que estavamos penetrando num mundo muito diferente, ateh recentemente conhecido como cortina de ferro. A estetica socialista ficava evidente nos predios (alias, me lembraram, de longe, Brasilia: todos retos, iguais, feitos em serie). O hotel, eh um belo exemplo disso. Era confortavel, mas nao possuia esses simbolos da decadencia capitalista, tais como elevadores, por exemplo....(subir 4 andares com malas depois daquela maratona foi uma delicia).

O quarto era amplo e bem arrumado, mas o banheiro, por exemplo, era ridiculamente grande. Alias, era enorme !!! O arquiteto nunca se preocupou com coisas como custo e aproveitamento de espaco. Deve ter pensado principalmente em usar os modulos de construcao disponiveis na fabrica central de modulos pre-fabricados !!!!

Mas nao vamos pensar mal deles por isso. O ambiente era aconchegante, as pessoas nao falavam ingles de jeito nenhhum, mas quem liga ? O goulash foi delicioso e a cerveja era muito boa. Muito engracado foi que algumas pessoas tentaram pedir mais alguns pratos, pelo cardapio. Pediram pizza, receberam porco aa milaneza com batatas !!!!

No dia seguinte, passeamos pela cidade. Conhecemos a antiga muralha e as principais igrejas. Seculo XII ou XIII, completamente reconstruidas apos a segunda guerra. Nossa guia, Ola, que eh de Szczecin, na Polonia, nos acompanhou no passaio. O interessante eh que a regiao da Alemanha que nos recebeu eh a Pomerania, de onde faz parte Szczecin. Assim, ela vconhece a historia toda da regiao e seus costumes, apesar de serem de paises diferentes. me lembrou um pouco os doidos dos Bascos, lah de 2000, na Espanha.

Ambas as Pomeranias, teem em comum o fato de terem sido quase que totalmente destruidas e reconstruidas depois da guerra. As "cidades velhas" sao, na realidade, novas (ela morre de rir quando diz isso....). Entao, a reconstrucao da Matriz de Pirenopolis, nao eh um sacrilegio tao grande asim, nao he mesmo ?

Seguindo a tradicao do Ivan na Europa, subi os 243 degraus da principal igreja, prah fotografar lah de cima. Quase morri. Os degraus eram muito mais altos que o normal. Deviam valer quase uns 400 !!!! A vista, vai em anexo, assim como a Monica no nosso quarto em Pretzlau e uma vista do caminho, tirada com o onibus em movimento (outra tradicao...).
Vou parar poraqui. Depois conto o concerto e sobre Szczecin.

Grande abraco a todos,

Ivan e Monica , 2/06/2006

Ivan e Mônica na Europa (Prefácio)


Atenas 2004. Após os compromissos do Coral Brasília no X ATHENS International Choir Festival, partimos para uma maratona na Itália, de carro a partir de Milão.

A foto em anexo foi feita pela janela do avião ( igualzinho ao que aparece na foto ), ao raiar do dia, marcando o início da segunda fase da viagem. Foi mais uma aventura inesquecível, que rendeu cerca de 3000 fotos. Puro prazer.

Na próxima terça, começaremos nova maratona, desta vez para o 5º Festival Internacional de Coros de Szczecin, Polônia, depois seguindo para Cracóvia, Praga e Paris.

Como das outras vezes, vou tentar contar, ao longo do percurso, as melhores histórias. Este ano, de novidade, vamos contar com uns programinhas maneiros que encontrei e que vão me permitir editar imagens, ainda que de maneira rudimentar, para serem enviadas por e-mail.

É o nosso jeito de dizer o quanto gostaríamos que vocês estivessem lá conosco.

Então, vamos viajar !

Ivan e Mônica , 28/5/2006
www.flick.com/photos/isim

PS: Informações sobre o festival de Szczecin estão em: http://www.zamek.szczecin.pl/ .
E as minhas fotos das outras viagens do Coral Brasília, estão no fanzine do Coral, em: http://coralbrasilia.blogspot.com/ (o site é meio tosco, mas os lugares valem o passeio).

24.7.04

Fotola !!!!!



Depois daquela briga toda no Fotolog, resolvi abrir uma conta no Fotola e estou gostando muito.

 
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O endereço é http://fotola.com/berylium/isim


 

19.5.04

Egberto Nogueira



o Nominimo apresenta ensaio do fotógrafo, que pega carona no transporte público para flagrar a dura rotina do paulistano no vaivém de casa para o trabalho. Foi produzido para o livro São Paulo Imagens de 1998, que reuniu trabalho de 15 feras da fotografia.

Imperdível....





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